Quando chegou, viu que um anão enchia com gasolina um galão grande, bem maior que ele. Entrou na conveniência e ficou uns 10 minutos decidindo o que eu ia pegar. Duas cervejas, cigarro e um chocolate. Pagou, saiu e viu que o anão continuava ali a encher seu grande galão. Entrou no carro e foi dar uma volta. Olhou a noite, viu as estrelas, pensou bobagens e fez uns telefonemas. Buscava diversão naquela quente noite.

Voltando pela estrada, via pelo vidro todo aquele céu azul e negro no horizonte, ouvindo uma música que há tempos não saia de sua cabeça. Deserto. Foi quando, muito tempo depois de tudo, reparou que o anão caminhava com imensa lassidão, carregando aquele pesado galão, por aquela estrada inóspita. Era careca, um pouco forte, usava uma corrente de prata. Todo de preto, sapatos bem lustrados, suava mesmo que não houvesse o sol para colaborar.

Percebeu que não havia tráfego e foi lado a lado com o pequeno homem.

– Ei cara
– Ei, disse ele andando
– Quer uma carona?
– Opa, brigado

Parou o veiculo no acostamento, desceu e o ajudou a colocar o galão no porta malas.

– Só fecha bem isso dai, pra não vazar essa merda

Sem brincadeira, achava, calculando por cima, que o galão pesava x, mas, como nunca fora bom em contas, viu que passava de 3x facilmente.

– Sem problema
– Beleza. Isso dai. Chega mais

Voltou para a direção e foram escutando música.

– O que aconteceu? Deu algum problema ai?
– É, meu carro parou logo ali em frente
– Que foda. Ainda mais essa hora da noite, tudo vazio por ai
– Pois é
– Aliás, eu sou o Carlos
– Newton, prazer

Andaram mais uma par de metros e foram falando qualquer coisa. Quando viu, o relogio do anão apitou e ele pediu para parar.

– Ei, você pode parar? Preciso resolver uma coisa rápida
– claro

o carro parou. O anão saiu e em pouco tempo voltou nu. O individuo ficou olhando para ele, abestado, com o anão lhe olhando da mesma forma. Os olhos um tanto vesgos e uma cara um tanto tola.

– Ei cara… Você, você está bem?!

o anão parecia que vomitaria. Fez uma cara séria e torta, seus olhos ficaram brancos, arregalados. Parecia que gorfaria a qualquer momento, ansiando e arfando de uma maneira bizarra.

– Ei cara! Ei cara! Você esta bem?! O que é isso, cara? porra!

Ficara imóvel em frente ao volante, não conseguia esboçar reação. Pensava que o anao iria gorfar, nu, a qualquer momento e sujar todo seu carro. O anão fazia uma cara deveras estranha, pondo as pequeninas mãos, ora em volta da garganta, ora tampando sua boca, como impedindo que jorrasse algo ou algum liquido vazasse. Não alcançava o chão do carro e ficava debatendo as perninhas.

– Ei cara! Ei cara! O que é isso?! Sai daqui, meu!

Antes de estapear e expulsar o anão, o mesmo começa a se liquidificar e expandir, como uma massa de pão, lhe dando um tremendo susto. Expandia-se e expandia-se cada vez mais, derretendo vorazmente por todos os cantos do carro, envolvendo o corpo do motorista em todo aquele molenga volume, aquele conteúdo adiposo, preenchendo todo o interior do veículo, comprimindo e não deixando espaço para uma mísera bolha de ar.

Por bem, fagocitava-se excitadamente.

Já parcialmente envolto por aquela estranha gosma cutânea, ficou por vez imóvel, preso como a um cimento de pura gordura.

– Me deixa sair! Socorro! Socorro!, gritava debatendo.

O anão crescia e crescia; daqueles seus um metro e poucos, tornou-se em um volume de muitos litros. Após lhe consumir, abraçar e por fim, satisfeito alimentado, parou apenas quando sentiu que iria arrombar as portas e estourar os vidros. O carro era por todo aquele serzinho; isso tudo em 2, 3 minutos, não mais. Não queria provocar dano algum a sua epiderme e conteúdo, muito menos aos comandos do carro e o que restava dentro dele. Feito isso, o anão começou a regredir a sua forma normal. Quando terminou, a expressão era um tanto sonsa. Nu, voltou a si e saiu do carro. Fora, ficou por alguns instantes parado.

No meio do nada, somente Deus para saber o que aconteceu.

Por fim, deu a volta e abriu o porta malas. Elegantemente, pegou o imenso galão e, com tal força e destreza que antes não aparentava, botou fogo no veículo. Vestiu-se e, balbuciando as palavras mágicas, prontamente desapareceu.

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