Aquela noite fora cansativa. Pensou que nunca tivera uma noite de tanto corre corre como aquela. Trabalhava num restaurante japonês onde era o único japonês. Japonês de verdade, ainda poderia dizer. Trocara uma ilha por outra quando tinha só 2 anos. Okinawa por Florianópolis, Japão por Brasil. Hoje, 26 anos depois, trabalhava de garçom num sushibar, próximo ao Morro da Lagoa. Quando entrou no ônibus, viu que eram 23h37 no luminoso. Cansado, logo acomodara-se. O ônibus subia o morro. Alguns passageiros, o baixo fluxo de carros. Hiro apoiou a cabeça no vidro. No tempo de um pensamento, um flash passara do lado de fora. Se assustara e viu que ninguém percebera. Logo mais dois flashes passaram. Algo estranho estava acontecendo. O avô lhe falara de algo assim, mas eram tempos passados, e pensou que deveria ser uma bobagem antiga. Deu-se conta que errara quando no teto do ônibus algo caira, algo pousara, com um barulho que fez as pessoas notarem, agora assim, que algo estranho estava acontecendo.

O motorista e o cobrador conversaram entre si. Buxixos. Algo mais caíra, o que de vez assustou os tripulantes. Hiro levantou-se e mandou todos para trás. Alguns se desentenderam. Hoje não. As pessoas perguntaram o que estava acontecendo. Hiro mal terminara de pedir calma quando um ser inteiramente de preto se lança por uma das passagens de ar, decepando a cabeça do cobrador, que rola para o meio do veículo. Todos perplexos. Logo, mais dois seres invadem o ônibus, bruscos da mesma maneira, disparando bombas de fumaça, deixando o veiculo em plena neblina. Passageiros são surpreendidos com estrelas de metal fincando em suas cabeças. Certeiros. Hiro grita: pro chão! O motorista segue com o ônibus aos berros e solavancos. De fora, ninguém imaginara o que ali acontecia. Carros desviam e desviam. De repente, mais dois seres se juntam ao bando, com espadas que esgarçam o teto do ônibus e que fincam-se nas pessoas no chão, causando terror e desespero. O garçom não pensa duas vezes e vai de encontro com um deles, desferindo um forte chute frontal, no plexo, que o arremessa violentamente para fora do ônibus, pela janela ao lado do motorista. Abre-se um clarão e o vento adentra, enquanto o ônibus corre por cima do ser. Os outros atacam Hiro com as espadas e este se esquiva. Inutilmente, passageiros se escondem pelos bancos. Laminas recortam o interior do coletivo e uma luta se desenrola. Hiro ataca os 4 seres que o atacam por todos os lados. Um lhe bate a cabeça num cano e tem como revide um golpe direto na garganta, fatal. Um passageiro agarra um ser, que se desvencilha e o atira pela janela. Hiro não demora e lhe acerta um chute, que abre seu cotovelo, outro, que rompe seu ombro, e outro, que o arremessa e o arremessa pela mesma janela. Suas costas são rasgadas. Hiro urra, se vira e disfere uma rajada de socos por toda a cabeça do adversário, agarrando-lhe pela nuca, aniquilando sua face com uma fulminante sequência.

O ônibus, pandemônio. Os passageiros, gritam e tentam escapar. O motorista, em choque. O transito, o caos. Corpos e vidros.

Dois seres adentram pela janela, enquanto um forte ronco de moto é escutado. Vespas endiabradas. Três seres sobem na cola do ônibus, que se aproxima do topo do morro. Espadas rasgam o asfalto, faiscando e dando um violento brilho à noite. Aproximando-se do topo, o ônibus é emparelhado por duas motos, que cortam sua lateral. Uma terceira quebra o vidro de trás. Alguns passageiros caem por cima dos parabrisas que vinham em direção oposta. O motorista não para.

O ônibus inicia a descida do morro de maneira lenta e os seres iniciam o ataque. Dilaceram passageiros e seguem para cima de Hiro. O carro quase desaba quando destrói boa parte de um mirante. Hiro arma-se com uma espada e de primeira elimina dois, lhes cortando os corpos e as cabeças. Tenta lutar contra um deles, quando é atingido na barriga por outro, sendo socado, o que o faz revirar pelo ônibus até ser barrado por poltronas e pela roleta, que atinge suas costas. Hiro esquece a dor e volta a combatê-los, chutando e socando, fraturando e expelindo seus ossos, os atirando pelas portas e janelas.

Como no Rancho de Amor à Ilha, a lua de cristal vaidosa brilha forte no céu, se espelhando na lagoa formosa, terna de rosas.

Seres se aproximam, agora em skates e rodando correntes com bolas espinhentas e ganchos. Fincando-as no que resta da carroceria, sobem no ônibus e de pronto amarram Hiro. Tentam lhe atirar pra fora, mas este reage, caminhando sublime pelo asfalto e no que resta do ônibus, ainda desferindo uma complexa sequência de chutes nos seres. Quando percebe que um deles se aproxima do motorista, o segue rapidamente, porem é detido. Consegue, estatelado no chão, deter o pé que tenta esmagar-lhe a cabeça, passando uma rasteira no oponente e por fim lhe atravessando uma espada. Já não restam mais passageiros. Apenas sangue e vísceras.

Antes que a espada pudesse atingir o motorista, Hiro consegue detê-la. Porem, um brusco movimento faz o motorista desviar o carro, cortando a pista desgovernado, indo em direção à mata e às casas. Como um touro enfurecido, derruba muros, arvores, paredes, pessoas. Dentro, Hiro, os seres e o motorista se reviravam. O ônibus ia e seguia, ate ficar no balanço de um barranco. Hiro sangra. Os seres, atordoados. O motorista desacordado. Florianópolis é toda furiosas chamas. O ônibus despenca e tudo sai de ordem novamente. Parados, no asfalto, ônibus e corpos espalhados.

Após algum tempo, Hiro abre os olhos e é tomado pelo destruição. Uma espada passa rente ao seu rosto. Outra, por entre suas pernas. Rapidamente, Hiro se ergue e uma acirrada luta volta a iniciar-se. Chutes e voadeiras, joelhadas, socos e cotoveladas. Narizes de encontro com a cabeça. Em um movimento, desfere uma plástica chave, deslocando o adversário dando-lhe a impressão de ser um boneco de trapo. Por fim, Hiro e o último. O ser segue com uma espada. Hiro o mira fixamente, se desvencilha e o acerta um chute, com tamanha flexibilidade e jogo de corpo, em cheio, por trás da cabeça. O rápido dragão surpreende o tigre ligeiro. O ser cai desacordado. Hiro o ergue pelas costas e lhe torce o pescoço, desabando exausto em meio ao ferro e fogo. Ofegante, percebe um aplauso, mas não consegue ver ao redor. O aplauso se torna alto, contrastando com o som das chamas. O aplauso aproxima-se, quando uma voz fala: muito bom Hiro, muito bom. Recobrado, vê que o motorista lhe congratula, mesmo debilitado. Muito bom Hiro, muito bom mesmo. Mas você sabe: este é só o primeiro teste. Um homem da envergadura de um urso lhe encoleira, enquanto uma pequena menina algemava seus pulsos e pernas. A menina desacorda Hiro pressionando rapidamente alguns pontos em seu corpo. O homem o arrasta. O motorista fala com alguém em um rádio. Pronto, pegamos ele.

Uma caminhonete de luxo surge, recolhe todos e, sem vestígios, some pela noite.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s