Resenha 2º Prêmio da Música Catarinense

Resenha para o site Guia Floripa.

O Teatro do CIC recebeu, na noite desta quarta-feira (17), músicos de toda Santa Catarina na premiação que consagrou os melhores no ano de 2014. O Prêmio da Música Catarinense, evento idealizado pelo Portal Música SC e produzido pela Pimenta do Reino Produções, contou com 7 categorias – Melhor Banda, Álbum, Cantor, Cantora, Instrumentista, Videoclipe e Artista Revelação – além de apresentações musicais de grande estilo.

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Nos bastidores

Antes da grande premiação começar, os bastidores reuniram músicos, jornalistas, fãs e entusiastas para baterem um papo e confraternizarem o ano de tantos êxitos para a música catarinense. Entre uma empadinha e um refrigerante, pude conversar com três concorrentes na noite: Ronchi e Marc, vocalista e guitarrista da banda O Mundo Analógico (que concorria ao prêmio de melhor banda) e Dijjy, vocalista da banda Ponto Nulo no Céu (PNNC – que disputava a premiação de melhor banda e melhor videoclipe).

Perguntei para Ronchi e Marc o que representava o prêmio de melhor banda para o grupo, o que era esperado pela banda diante disso. O guitarrista respondeu que esperava o reconhecimento não só da banda, mas também dos compositores catarinenses, que estão na luta da música, sendo uma honra, um enorme prazer participar de um prêmio com tal abrangência. Para o vocalista, ver o pessoal amigo da banda, que também competia, como PNNC e Vermelio, e perceber que fazem parte de uma coisa bem maior, bem mais além do que se pode pensar e imaginar, já é uma grande satisfação.

E quando questionei sobre o futuro, Marc me disse que, saindo vitoriosos ou não, a felicidade de participar de algo como o que acontecerá esta noite, já é de uma grande felicidade. Fora isso, completa ele, estão para gravar um CD novo, filmar clipes novos, além de lançar uma música nova neste verão e, além de muitas outras coisas, continuar em frente. Quando questiono sobre a recepção do CD, Nosso Mundo, Ronchi me fala que a banda nunca imaginaria alcançar, fazer sua música chegar para um público tão grande e distinto, e com este novo trabalho, buscam aumentar este alcance, cada vez mais e mais.

Quando comecei a entrevistar Dijjy, o cantor e instrumentista, que também era um dos jurados da noite, Luiz Meira veio parabenizá-lo pelo trabalho, dizendo que a Ponto Nulo no Céu era a melhor banda (dali) que ele havia ouvido.

Começo perguntando como ele via este desponte que a banda está tendo, após a reformulação que passou, da qual só permaneceu o vocalista, de já concorrer como melhor banda e melhor videoclipe. Dijjy me diz que tudo isso é uma oportunidade de mostrar o trabalho do conjunto, sendo uma boa exposição desta nova fase, e isso não só para eles, mas para as outras bandas também, que são na sua maioria artistas independentes e que não contam com apoio algum, necessitando fazer tudo sozinhos, e que isso só tem a fortalecer a música catarinense e a arte em si.

E a banda esperava com essa nova formação já ter tanto prestígio assim? Ele me diz que na verdade não, que a PNNC apenas se inscreveu e foi uma surpresa quando souberam que estavam concorrendo, até porque o som que a banda faz – um rock mais pesado do que o convencional –  é um som inusual para a grande parte do público, mas que mesmo assim estão felizes de concorrerem, de estar no meio da premiação, de um pessoal que já conhecem, já é bom demais.

Na premiação…

O evento teve início com apresentação da banda Brass Groove Brasil. Composta por Jean Carlo, no trompete, Carlos Schmidt, no trombone, Braion Johnny, no sax barítono, Fábio Melo, no sax tenor, Marco Aurélio, no trombone, Cristiano Ferreira, na guitarra, Rafael Calegari, no contrabaixo e Cristiano Forte, na bateria, o octeto abriu a noite com uma apresentação impecável, com dois temas instrumentais, Série A e Partiu Partindo, que fizeram o público balançar a cabeça e bater os pés acompanhando o ritmo contagiante.

Em seguida, a mestre de cerimônias, apresentadora do programa Olhares, da TVBV, Maria Paula Canziani, abriu os trabalhos contando com a participação da colega Tainá Smaczilo, que transitava pelo auditório conversando com público e os artistas, anunciando os concorrentes ao melhor clipe: Paradoxie Vie, Skrotes e Ponto Nulo no Céu, de Florianópolis e Marcelo Gomes e Pedro Araújó, de Criciúma. E a primeira vencedora da noite foi a Ponto Nulo no Céu, com o videoclipe da música Fluxo Natural. O clipe conta com uma edição moderna e com uma coisa bacana: por se tratar de um rock pesado onde muitas pessoas têm dificuldades de compreender a letra, esta foi sendo exibida durante sua interpretação, sendo um recurso bem curioso.

Na sequência, Luciano Bilu, acompanhado de uma formação que teve como baterista Rafael Bastos, figura conhecida na cidade por sua escola de música, e mais 3 músicos de alto porte, realizou um show que contou com uma música instrumental e outra cantada, ambas na pegada Rock ‘n Roll. Bilu é reconhecido guitarrista de Florianópolis, tendo tocado em várias formações de bandas e com artistas de todo o estado.

Após o fechar das cortinas, Maria Paula voltou ao palco para apresentar os prêmios de Melhor Cantor e Cantora. Para mim, foi uma surpresa ter como vencedores Rubens Daniel e Marília Dutra. O cantor de Araranguá, no sul do estado, não é muito conhecido em Florianópolis, contudo já participou, em 2008, do programa Ídolos, da Rede Record, ficando entre os quinze finalistas, e da segunda edição do The Voice Brasil, da Rede Globo, sua grande oportunidade, onde ficou entre os quatro finalistas, recebendo assim reconhecimento em nível nacional. Rubens concorreu com quatro cantores da capital: Gazu, da banda Dazaranha, François Muleka, Leo Vieira e Jimi Santos.

Já a criciumense Marília Dutra, representada por seu irmão Adriano Dutra, foi outra surpresa, já que concorreu com nomes fortes como Ariele Locatelli, Diana Dias, Ana Paula Ambrosi e Carla Ramos, todas da capital. A cantora, que recém lançou o CD Entre o amor e a canção, que conta com 16 faixas, sendo 10 delas autorais, foca seu trabalho no pop-rock e na música sertaneja, realizando releituras de Christyan & Ralf e a cantora norte-americana Kelly Clarkson.

O cantor Luiz Meira, que já estava no palco para entregar os prêmios, continuou por ali mesmo, sendo a próxima atração da noite. Numa apresentação inteiramente instrumental, na companhia do violonista Eduardo Stormowski, Luiz baseou-se num solo de guitarra que privilegiava a MPB e os ritmos brasileiros, e que foi acompanhado pelas palmas do público, deixando a apresentação ainda mais descontraída. Eu, que nunca tinha ouvido seu trabalho, gostei bastante da disposição do artista, que já tocou com nomes consagrados da música nacional, como Elza Soares, Sandra de Sá, Gal Costa, Sá e Guarabyra, Beto Guedes, entre outros.

Após a performance de Meira, foram apresentados os indicados para Melhor Álbum. Jimi Santos, Five 5 Boys e Tatiana Cobbett e Marcoliva, de Florianópolis, Bruno Moritz, de Brusque, e John Mueller, de Blumenau, estavam na disputa. E, para minha surpresa, o melhor álbum catarinense foi um álbum instrumental (!). Bruno Moritz (na foto abaixo) e seu acordeon tiveram a honra de serem os vencedores. O artista, que concorreu com o álbum Tempero Brasileiro, agradeceu ao prêmio, não escondendo sua surpresa e susto ao ter ganho, principalmente por ser instrumentista, sem se arriscar nos vocais.

Maria Paula anunciou que a próxima atração era uma banda de longa estrada, que estava voltando aos palcos e que na primeira edição do prêmio foi condecorada com a melhor banda. A Primavera nos Dentes, em uma pegada bluezeira, com gaita de boca e tudo que se tem direito, apresentou a música O Vagabundo, um de seus grandes sucessos, fazendo os presentes cantarem junto, batendo mais uma vez palmas para acompanhar a canção. Uma apresentação para lembrar os velhos tempos.

Prosseguindo, foi a vez do Melhor Instrumentista catarinense ser eleito. Seria ele Chico Martins, da banda Dazaranha? Seria a dobradinha de Bruno Mortiz? Seria Ricardo Brandão, do Grupo Orfeu? Seria Marcelo Rosa? Ou seria Felipe Coelho? E o privilégio foi do violonista Felipe Coelho (na foto abaixo, com Bruno Moritz), que em 2014 fez e deu show, inclusive tendo o apoio do Guia Floripa em seu espetáculo que homenageava o mestre do violão flamenco, Paco de Lucia. Prêmio mais que merecido pelo jovem que exibiu grande talento este ano.

O guitarrista performer André de Carvalho, vencedor da categoria supracitada no ano anterior, foi o próximo a subir ao palco do Teatro Ademir Rosa, numa apresentação voltada ao Heavy Metal. Uma boa apresentação, com peso e fluência em todos os instrumentos, já que André foi acompanhado por baixo e bateria. Patrocinado por várias marcas de instrumentos e equipamentos nacionais e internacionais, André, apesar da pouca idade, já é apontado por muitos como um grande músico.

Faltavam ainda duas categorias a serem premiadas, e uma delas era a de Artista Revelação, que receberia o maior prêmio da noite. A premiação, que era patrocinada por duas marcas de instrumentos e equipamentos de renome no país, daria ao artista revelação uma guitarra e um cubo de guitarra; um baixo e um cubo de baixo; uma bateria; e um kit microfone, equipamentos que foram avaliados entre R$ 10 e 15 mil reais. Concorriam Vermelio, de Criciúma, a cantora Ruca e banda, além do Grupo de Percussão de Itajaí, ambos da cidade portuária, e Circo Quebra Copos e Caraudácia, de Florianópolis. E mais uma vez o prêmio foi para o sul catarinense.

A Vermelio (na foto abaixo), formada pelo trio André Bresiani, na guitarra e voz, Henrique Corrêa , no contrabaixo, e Leandro Silveira, na bateria, foi mais uma surpresa, sendo também pouco conhecidos do público ilhéu, mas nem por isso desmerecidos. Meu sentimento é que todos estes artistas vencedores, com todos os méritos e que não vivem no eixo cultural da ilha, se tornem mais e mais conhecidos por aqui, abrangendo, abrindo e levando ainda mais a música catarinense por todos os cantos e pontos do estado. Parabéns aos garotos!

Antes do grande prêmio, mais um trio. Composto pelos reconhecidos mundialmente Edu Ardanuy, na guitarra, Celso Pixinga, no baixo e Maurício Leite, na bateria, o Trio Tagima e Nagano deu um show de virtuosidade. E que talvez, pelo excesso de virtuosidade, o show tenha ficado um tanto longo e enfadonho. Os músicos, considerados dentre os melhores do Brasil em seus instrumentos, esbanjaram habilidade, porém poderiam ter sido um pouco mais comedidos. Mas nada que prejudicasse a qualidade do espetáculo, sendo eles responsáveis também pelo excelente nível técnico da noite.

Para entregar o prêmio de melhor banda, foi chamado ao palco o idealizador da premiação, Márcio Pimenta, que agradeceu aos presentes, às bandas e todos os envolvidos pela maravilhosa festa e pela noite que estavam tendo até agora, sendo aplaudido pelo público após seu pronunciamento. Vale lembrar que o público fez bonito, aplaudindo e fazendo sua parte como torcida em todos os prêmios e para todos os concorrentes.

O Mundo Analógico, Strokes, Ponto Nulo no Céu, Gera Fornasa & Bandalheira e Casa de Orates foram escolhidos pelo juri como as bandas na disputa pelo título de Melhor Banda do estado em 2014. Após um momento de suspense, o resultado: a PNNC (Felipe e Dijjy, na foto abaixo), com seu som forte e pesado, foi agraciada com o prêmio de Melhor Banda do Prêmio da Música Catarinense 2014. Na minha opinião, a banda sai não só como grande vencedora, sendo a única com dois prêmios, mas também mostrando como sua música não-convencional, fato que seu vocalista já havia comentado, veio e despertou a atenção do público e dos jurados. O que marca foi que a banda e o ritmo que toca não estão em destaque nas grandes mídias, nem mesmo possuindo um grande número de apreciadores, porém mostrou que sua legião de fãs é grande e conseguiu cumprir bem sua tarefa. Parabéns aos rapazes e muito sucesso nesta nova jornada!

Por último, mas não menos importante, Gazu, Chico, Adauto, Gerry, Fernando, JC e um guitarrista que infelizmente não pude reconhecer quem era, cobrindo a ausência de Moriel, fecharam com chave de ouro a premiação. O Dazaranha subiu ao palco e interpretou cinco músicas: Salão de Festa a Vapor, O Mané, Céu Azul, Rastaman (estas duas de seu último disco, Daza) e o hino, Vagabundo Confesso. Nesta última, Luiz Meira voltou ao palco para acompanhar a banda, mostrando que o improviso é seu forte. Em outro momento bonito do show, Gazu agraciou Márcio Pimenta com um troféu da festa: um radinho baseado nos modelos antigos, superbacana, desenvolvido por uma renomada loja de design e decoração.

Antes de terminar, um comentário. Acho que, nas próximas edições, o Prêmio poderia ter mais categorias ou então ter mais abrangência, tanto de artistas, como de divulgação. Senti falta de artistas de outros gêneros que também possuem força no estado, como o Rap, Eletrônico, Reggae e Forró. Não que os gêneros musicais tivessem sido pouco representados, sendo que houve de tudo, do Samba ao Metalcore, mas a universalidade da premiação poderia ser maior. Talvez isso não tenha acontecido também pelo desconhecimento ou falta de interesse dos grupos do estado no prêmio, sendo que eles é que eram os responsáveis por se inscreverem, não ficando isto a cargo de algum órgão ou dos jurados.

Enfim, foi uma grande festa, com grande público, grandes shows e grandes premiações, indiscutivelmente. Um imenso agradecimento aos organizadores pela permissão para acompanhar o evento, culminando neste relato, não esquecendo das bandas e seus integrantes pelas entrevistas e comentários. Espero que ano que vem a festa se repita.

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