Resenha Dead Fish

Resenha para o site Guia Floripa.

Fazia uma típica noite de inverno, com chuva e vento, na Lagoa da Conceição. Era quarta-feira, 23 de agosto, e a fila até que não estava tão grande pelo porte do show que o John Bull Pub iria receber. Enquanto esperava pela entrada, lá dentro, a End of Pipe, banda da cidade formada por Pedro Marques (guitarra/backing), Alex Ritter (baixo), Uirá Medeiros (vocal/guitarra) e Victor Berreta (bateria), esquentava a galera, que aguardava pela atração principal. Formada em 2006, a End of Pipe segue uma linha de hardcore/punk rock melódico influenciada pelos anos 90 e grupos como Garage Fuzz, Street Bulldog, Face to Face e Samiam e, pelo pouco que acompanhei do show, pude ver que estão fazendo um bom trabalho referente ao lançamento do novo EP, ‘Keep Running’, e que as boas críticas que o disco vem recebendo da imprensa musical não são por menos.

Enquanto ia cumprimentando amigos e conhecidos na entrada, me recordava das outras apresentações que já havia ido. A primeira, em Balneário Camboriú, a segunda e a terceira, em Florianópolis. O que posso dizer é que o Dead Fish, a banda responsável pela minha presença ali, teve imensa influência na minha vida. Lembro da primeira vez que ouvi os primeiros minutos do CD Afasia e confesso que minha cabeça virou ao avesso. Músicas como ‘Iceberg’, ‘Afasia’, ‘Cidadão Padrão’, ‘Revolver’, ‘Proprietários do Terceiro Mundo’ entraram na minha mente e por lá se fixaram, exercendo grande influência pessoal e musical, assim como ‘Sonho Médio’, ‘Mulheres Negras’ e ‘Escapando’, do segundo CD ‘Sonho Médio’ e ‘Molotov’, ‘Individualismo de Massa’ e ‘Anarquia Corporation’, do CD ‘Sirva-se’, o primeiro da banda capixaba.

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Neste show, a banda planejou tocar na integra o álbum ‘Zero e Um’, que completa 10 anos. Foi com ele que o Dead Fish teve as portas abertas para a MTV e para o mercado nacional, fazendo o grupo alcançar uma maior popularidade, que já era grande, porém no meio underground. Acabaram ainda por gravar um DVD ao vivo pela emissora, além de serem vencedores por duas oportunidades do VMB, evento que premiava os melhores da música nos respectivos anos de ocorrência. E foi por volta da meia-noite Rodrigo (vocal), Alyand (baixo) – estes dois os únicos remanescentes das primeiras formações da banda – Marcos (bateria) e Rick (guitarra) subiram ao palco da Casa do Rock levando as cerca de 250 pessoas a loucura, entonando os primeiros acordes de ‘A Urgência’, música que abre o disco de 2004, o 6º da banda. O show seguiu com ‘Tão Iguais’, ‘Zero e Um’, ‘Queda Livre’ e ‘Bem-Vindo ao Clube’, não deixando ninguém parado com todo empurra-empurra de mosh pits e stage dives, com mãos, pés, cabeças e corpos se debatendo e atirando por todos os lados.

O show seguiu com ‘Senhor, Seu Troco’, ‘Você’, ‘Sonhos Colonizado’s e ‘Por Não ter o Que Dizer’, tendo ainda ‘Engarrafamento’, ‘Desencontros’, ‘Re-aprender a Andar’ e ‘Siga’, que completa o disco. Sinceramente, aguardava o prosseguimento do show com músicas de outros discos, sentindo que durante esse tempo, o evento deu uma certa “esfriada” por parte da banda e público. Enquanto o momento não chegava, tirei o tempo para falar com os conhecidos, tomar uma cerveja e ficar zanzando pelo local. Foi muito bom rever os velhos amigos e sentir que só uma banda como o Dead Fish é capaz de reunir pessoas de diferentes momentos de sua vida num só local; de manter junta amizades que, mesmo não contando com encontros frequentes, são fortes e permanentes. Nisso, Rodrigo agradecia o público pela energia, falando que aquela (Siga) era a última música do disco, que como aquele disco havia marcado a vida deles, tudo o que havia ocorrido e como era bom estar na cidade.

Permaneci “descansando” até o momento que foi anunciada ‘Iceberg’, uma das minhas músicas preferidas. De volta à muvuca, foram tocadas músicas do último trabalho, ‘Contra Todos’, e de ‘Um Homem Só’, ambos discos que não conheço muito, além de ‘Sonho Médio’, ‘Tango’ e ‘Afasia’, clássico que fechou a noite. No geral, apesar de tantos bons momentos, senti falta de mais energia, mais empolgação. O show foi bom, mas não chegou perto dos outros que vi. Senti que faltou uma interação maior da banda com o público, não ao ponto dos integrantes serem robóticos, mas sim de serem mais calorosos. Foi um show curto, sendo que vários fatores podem influenciar nisso, mas isso é outro assunto. Gostei muito do ambiente da casa, dos amigos, da companheiragem, dacurticera. Ah! E não posso esquecer também de agradecer ao Fabiano, da Rock Produções, pela chance e espera – tão aguardada – dos ingressos (valeuzura cara!).

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