X-ota Lanches 1

O Cledenir era o chapeiro.

Pelo menos uns 15 anos ele trabalhava ali. Antes dele o chapeiro era o irmão dele, o Cledenirson, mas ele sofreu um acidente de moto, o Cledenir assumiu e dai ficou. No final, não deu rolo nem nada, o Cledenirson hoje tem um mini-mercado na parte de baixo da casa. O sonho do Cledenir era ser cantor. Ele até chegou a gravar um CD, pensou na capa tudo, que não ia se Cledenir, mas sim Marcos Claudio o nome artístico dele, durante um tempo até perguntou se não podia larga a chapa e fazer uma música ao vivo ali, na lanchonete, e até rolou, ele chamou um vizinho dele lá pra assumir a chapa, mas a coisa foi bem pouco tempo. É que no dia que o Cledenir cantou pela primeira vez, rolou uma briga feia no bar, justamente porque a mulher de um cara, que tava no local, foi com um conhecido só pra fazer ciumes nele, e nisso eles começaram a dança quando o Cledenir e o vizinho começaram a toca Fagner e o cara ficou puto e foi pra cima dele. Rolou uma merda fudida, quebraram até o violão do Cledenir na cabeça do cara, um chororô todo porque o violão ainda faltava pagar 3 parcelas. O seu Edson coçou a careca todo indignado e chegou e falou “deu!, olha a merda que deu!”, e que aquilo era mau presságio, pro Cledenir se benzer e era mesmo.

Tanto que o Cledenir pediu umas 3 noites pra também ir tocar em outro lugar, com um violão emprestado, num barzinho ali das áreas, porque queria fazer uma grana extra pra pagar o outro violão, e também deu uma merda, mais feia que essa ainda. Pegaram um cara, uns 5, e deram uma coça, dizem porque era um bêbado chato pra caralho, dizem que o cara era talarico, enfim, disse por disse, os 5 ou por ai pegaram o cara, variaram o cara do segundo andar do barzinho, ele caiu em cima do Gol chaleira do Cledenir, nossa, foi feio.
Ele dizia que o lanche que ele mais gostava de fazer era o X-Linguicinha, mas o que ele mais gostava de comer, ele não tinha nenhum. Dizia que era porque sabe, era o trabalho dele, e onde se come a carne, não se trabalha, ou algo assim, que ele sempre se enrolava pra dizer o que era. O X-Linguicinha era queijo, presunto, linguicinha calabresa, linguicinha toscana, milho, ervilha, tomate, alface, molho da casa, batata palha e ainda rolava uma pasta de linguicinha blumenau, que ó, foda. Ele não sabia dizer direito porque gostava mais de fazer esse, mas dizia que era porque o cheiro era bom, era diferente dos outros. Falavam que era porque o cheiro de linguiça lembrava era cheiro de pinto, o que deixava o Cledenir puto, e todo mundo caia na risada.

O Cledenir gostava de trabalhar na chapa, principalmente porque ninguém incomodava ele. Isso é o que mais importava pra ele. Era ele e a chapa e quando o lanche ficava pronto, ele tocava a sineta e ninguém apurrinhava ele, não tinha contato com cliente, nem nada. A chapa era um santuário do X-Burguer pra ele, o mundo fechado aquilo ali pra ele, e ele rezava pra que nunca tirassem ele dali, pra que nunca ele tivesse que servir, nem que fosse uma Laranjinha, pra alguém ali.

Lógico que um dia ou outro a coisa pegava fogo e os garçons chegavam pra enche o saco dele e ele ficava puto, voava pedaço de frango e coração pra tudo que é lado, e no final ele que ainda tinha que limpar tudo.

Falando em garçom, eles eram cinco.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s